Estamos mudando o site. Participe enviando seus comentários por aqui.

Pacto pela democracia: a união de todos legitima o processo democrático no país

 

A nossa formação como sociedade impôs a ideia de que “eu” sou mais importante, de que a sociedade trabalha para mim. Isso se exemplifica em diversas situações do dia-a-dia. Tomemos o trânsito: o indivíduo pode furar uma fila, ultrapassar pela direita, mas quando é o outro quem faz isso, o indivíduo fica bravo, se sente desrespeitado. Quando é preciso dar espaço para algum carro entrar, o indivíduo passa e deixa o de trás dar passagem, porque ele é menos importante que eu. Se o indivíduo anda de bicicleta, a lei deve apoia-lo, os motoristas de carros estão errados, são agressivos, desrespeitosos. Mas se em outro dia este mesmo indivíduo dirige um carro, o ciclista é abusado, lento...

O pacto social existente é individual (não coletivo!) e móvel, segue para onde vai o indivíduo, e não estático e coletivo, como deveria ser para parametrizar a sociedade.

Nota-se, portanto, essa veia individualista, autoritária, uma vez que para nossa sociedade, o indivíduo sempre está acima do coletivo. E o que isso gera? Aos que se sentem e exercem a ideia de estarem acima do pacto social, acima da lei e acima dos demais, um líder autoritário, um ditador. E aos que estão abaixo, sendo oprimidos, a necessidade de um salvador, um messias que os libertará.

A mudança de nossa cultura, sintetizada pela Lei de Gerson, é lenta, longa, dolorida e aparentemente, em muitos casos, injusta. E claro que é, pois vamos deixar de ganhar sempre e muito individualmente, para ganharmos coletivamente; e isso às vezes da impressão que estamos ganhando menos e com menos relevância nas nossas vidas. Talvez muitos terão essa impressão porque não precisam de tanto quanto tem, ou não imaginam seu impacto e o de suas decisões no próximo, no coletivo, na  sociedade que eles mesmos integram.

Quando queremos, podemos fazer juntos um país melhor e mais coletivo. Recentemente fomos capazes de conquistar vitórias excepcionais na direção do amadurecimento político, social e econômico visando um país mais justo e igualitário.

Criamos, por exemplo, uma política de cotas que facilitou aos jovens de famílias pobres e negras o acesso à universidade, dando início a uma reparação histórica e à mitigação da enraizada discriminação racial.

Avançamos também no combate à violência contra a mulher, não apenas com instrumentos legais, mas também pela conscientização da sociedade, algo muito mais profundo e duradouro, entre outros vários exemplos.

Mais um processo eleitoral está em andamento. Votemos com consciência, analisando os candidatos, e visando a um projeto maior, coletivo, no qual a sociedade ganhe mais que o indivíduo, ainda que este indivíduo seja você mesmo.

 

Do mesmo autor:

<< Atos de violência em MG demonstram fragilidades de políticas públicas

<< Decisão histórica do TSE pode mudar o perfil do Congresso

Continuar lendo

Assine e obtenha atualizações em tempo real em seu dispositivo!