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Emoção até o final na “eleição retrô”

"A nova conformação deixa a corrida com cheiro de 1989, meio “retrô”, com um outsider da extrema direita liderando enquanto Lula e Trabalhistas lutam pela segunda vaga."

A turbulência no mercado nos últimos dias tinha uma explicação. Passados dez dias da avalanche de comerciais televisivos, Alckmin caiu no Datafolha.

O tucano Tasso Jereissati fez autocrítica da postura do PSDB no questionamento da vitória e posterior derrubada de Dilma. Menos incisivo e com mais cuidado, Rodrigo Maia deu entrevista na mesma linha, explicitando ainda desânimo com o “picolé de chuchu”.

Geraldo mudou sua estratégia após a facada. Percebeu que é burrice tentar roubar votos de Bolsonaro batendo nele. É preciso acalmar uma pessoa em estado de fúria para chamá-la à razão. Passou a bater em Haddad, Ciro e Marina enviando aos bolsonaristas o sinal de que ele é a opção mais segura para derrotar os “vermelhos”. Parece ter sido tarde demais.

Vai ficando claro para a tradicional direita brasileira que a aposta irresponsável na destruição do sistema político lhe custou muito caro. Errou ao considerar que o expurgo seria cirúrgico e pegaria apenas a esquerda. O abraço a um governo fraco, ilegítimo e incapaz fez o resto.

O que fará agora? Vai aderir ao Capitão? É pouco provável que o derretimento do fascista aconteça. O PSDB descolou do segundo bloco e agora forma um terceiro com “Marina Queda Livre”. Bolsonaro se posiciona como alternativa aos “dois que quebraram o país, PT e PSDB”. É o candidato anti-establishment pela direita. Como apoiá-lo?

Não será surpresa se o setor mais radical da Aliança do Coliseu, formada pela Globo com setores antinacionais da burocracia estatal, adotar o fascismo como caminho.

Os banqueiros podem se dividir entre Paulo Guedes e Haddad. Nunca tiveram problemas de convivência com o PT, vide Joaquim Levy e Meirelles. Ciro elegeu o mercado financeiro e o rentismo como alvo, não é uma opção para o setor.

O eleitor de Marina deve se espalhar, reflexo de sua falta de identidade política. Geraldo deverá ser “cristianizado”. Uma parte dos que o apóiam já está com o PT onde Lula é forte. O sincericídio de Tasso pode ter sido uma “piscadinha” combinada com Ciro.

Tudo caminha para Haddad ultrapassar Ciro nas próximas pesquisas. A estratégia do PT está clara. Colar Haddad na impressionante força de Lula e “deslocar os melhores médicos do mundo para o Einstein”.

A morte de Bolsonaro, física ou política, seria uma tragédia para o PT. No segundo turno, o enfrentamento com o Capitão é a única possibilidade de vitória de Haddad. As pesquisas indicam hoje um empate técnico.

Se Haddad descolar de Ciro e assumir a segunda posição - o que parece questão de tempo - poderemos ter uma rearrumação do quadro.

Ciro vai tentar convencer os progressistas de que ele é a opção mais segura para derrotar o fascismo no segundo turno. Tem as pesquisas ao seu lado. Terá que escolher bem sua estratégia.

Bater no PT pode atrair votos de eleitores de Alckmin e outros nanicos, mas cria dificuldades de diálogo com lulistas não orgânicos.

Adotar o “Ciro Paz e Amor Anti-Polarização” tentando atrair o voto útil dos eleitores que rejeitam o Capitão e o PT, mas que vêem seus candidatos sem chances reais, parece ser o caminho mais inteligente.

A nova conformação deixa a corrida com cheiro de 1989, meio “retrô”, com um outsider da extrema direita liderando enquanto Lula e Trabalhistas lutam pela segunda vaga.

Haddad é o favorito para a segunda vaga, mas Ciro está no jogo. Teremos emoção até o final.

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