Juíza que mandou prender Dirceu será a substituta de Moro na Lava Jato

Com a saída do juiz Sérgio Moro da 13ª Vara Federal no Paraná para assumir o superministério da Justiça e Segurança Pública, a pedido do presidente eleito Jair Bolsonaro, a Operação Lava Jato ficará sob o comando provisório da juíza Gabriela Hardt, de 42 anos. A juíza é respeitada no tribunal e deve seguir a mesma linha de Moro nas investigações.

Ao aceitar o convite de Bolsonaro na manhã desta quinta-feira (1), Moro disse que vai se afastar logo das atividades da magistratura. Dessa forma, a audiência marcada com o ex-presidente Lula referente ao caso do sítio de Atibaia, prevista para o próximo dia 14, será realizada pela juíza. Nesse caso, o ex-presidente é acusado de ter recebido propina da Odebrecht, da OAS e do pecuarista José Carlos Bumlai em forma de obras no imóvel.

A magistrada e ex-juíza corregedora do presídio federal de Catanduvas já assumiu os casos da Lava Jato durante ausências de Moro. Em maio deste ano, quando o juiz estava nos Estados Unidos, Gabriela mandou prender o ex-ministro José Dirceu, depois que o TRF-4 julgou o último recurso contra ele. Na decisão, a magistrada deu a Dirceu o prazo de 24 horas para se entregar à Polícia Federal, assim como no caso do ex-presidente Lula, preso em 7 de abril.

Bolsonaro chamou Moro para o governo ainda durante a campanha. Advogados veem juiz sob suspeição

O Conselho de Administração do Tribunal Regional da 4ª Região (TRF-4) deve fazer uma análise interna para decidir quem será o novo titular da 13ª Vara. Integrantes do tribunal disseram ao portal Jota que a Lava Jato na 1ª instância “vem perdendo fôlego”, porque a maioria e os principais casos já estão em instâncias superiores e são poucas as novas linhas de investigação.

Moro ministro

Sérgio Moro aceitou o convite de Jair Bolsonaro para integrar o governo a partir do ano que vem, no comando do superministério da Justiça e Segurança Pública. A pasta vai integrar as estruturas da Justiça, da Segurança Pública, da Transparência e Controladoria-Geral da União e do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), hoje ligado ao Ministério da Fazenda.

Em nota, o juiz disse que a sua decisão significa “consolidar os avanços contra o crime e a corrupção dos últimos anos e afastar riscos de retrocessos por um bem maior”. Ao chamar Moro, Bolsonaro pretende reforçar o discurso de combate à corrupção que o ajudou a se eleger. O presidente eleito quer dar carta branca para o juiz atuar no enfrentamento do crime organizado e da lavagem de dinheiro.

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