Podemos ganha novos membros e vira a segunda maior bancada do Senado

O Podemos quer ter a maior bancada do Senado. Por isso, tenta atrair pelo menos quatro senadores que hoje estão filiados a outros partidos. E a primeira dessas filiações acontece nesta quarta-feira (14). É a do senador Marcos do Val (ES), que sai do Cidadania para o Podemos, dando ao partido liderado por Álvaro Dias (PR) o posto de segunda maior bancada da Casa e o poder de negociar o encaminhamento de pautas polêmicas como a CPI da Lava Toga e o impeachment de Dias Toffoli.

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"Vamos disputar o primeiro lugar", afirmou o líder Álvaro Dias, admitindo que, além da filiação de Marcos do Val, já está quase certa a ida de Carlos Viana (MG), que hoje está no PSD, para o Podemos. Com os dois, a sigla passa a ter dez representantes no Senado e passa à frente do PSD na lista de bancadas mais representativas da Casa. O Podemos ficará atrás apenas do MDB, que hoje tem a maior bancada, com 12 senadores - um deles o líder do governo na Casa, Fernando Bezerra Coelho (PE). Mas é só por enquanto, segundo Álvaro Dias, que admite já estar em conversa com outros senadores para garantir ao Podemos o mesmo espaço do MDB no Senado.

Com isso, a sigla busca maior protagonismo da definição da pauta deliberativa. "Nosso objetivo é contribuir para que o Senado tenha uma produção legislativa maior e faça leituras corretas das prioridades para a população", afirmou o líder, que tem se articulado com outros parlamentares para destravar projetos delicados como a CPI da Lava Toga e os pedidos de impeachment apresentados contra ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).

Álvaro Dias participou nessa terça-feira (13), por exemplo, da reunião em que um grupo de senadores declarou apoio ao pedido de afastamento do presidente do STF, o ministro Dias Toffoli, apresentado pela deputada estadual Janaina Paschoal (PSL-SP). Na semana passada, ele também esteve com um grupo de senadores que estão insatisfeitos com a pauta de votação do Senado, que é definida pelo presidente Davi Alcolumbre (DEM-AP), e tentam incluir nessa pauta esses e outros projetos de combate à corrupção.

"Temos que resolver essas questões, deliberar a respeito. A CPI [da Lava Toga] aguarda deliberação. O importante é encerrar o assunto, da mesma forma que os pedidos de impeachment, para esse impasse não ficar perdurando. E outra questão que é nossa prioridade é a nova legislação para definir o novo modelo na composição dos tribunais superiores, o processo de escolha e a duração de mandatos", adiantou Dias ao Congresso em Foco.

O senador também apresentou na semana passada uma Proposta de Emenda à Constituição que impediria a nomeação de Eduardo Bolsonaro para a embaixada nos Estados Unidos e admitiu que a bancada do Podemos deve votar contra a indicação.

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Marcos do Val
Apesar de estar de saída do Cidadania, Marcos do Val quer contar com o apoio dos colegas do antigo partido para destravar a pauta que defende junto com Álvaro Dias. Segundo ele, esta não é apenas a pauta do Podemos, mas dos novos senadores que foram eleitos com o discurso de renovação política. Por isso, ao oficializar a saída do Cidadania, enviou uma carta ao presidente do partido, Roberto Freire, agradecendo o acolhimento e a convivência dos últimos meses.

"Deixo o Cidadania com gratidão, de maneira tranquila, levando as amizades cultivadas que tanto me ensinaram e deram o suporte importante e necessário para o início da minha trajetória política partidária e parlamentar", escreveu o senador.

Ao Congresso em Foco, Marcos do Val explicou que a mudança não se deve a nenhum atrito ou desentendimento com o Cidadania. "Eu seria candidato ao Senado pelo Podemos. Mas na última hora, um dia antes do registro, foi convidada a ser candidatada a governadora do meu estado a senadora Rose de Freitas. Como eu apoio outro candidato ao governo, o Renato Casagrande, de outro partido, eu não podia ficar no Podemos", explicou Marcos do Val, que logo se filiou e foi eleito pelo Cidadania, mas admite que nunca deixou de conversar com o Podemos.

"Ficou aquele clima de já pode voltar. E o Álvaro Dias vinha conversando comigo. Eu não queria voltar para não desmontar a liderança do Cidadania, mas consegui articular para que o Senado não desmontasse a liderança e eu pudesse sair sem prejudicar ninguém", argumentou o senador, que agradeceu sobretudo o apoio da líder do Cidadania, Eliziane Gama (MA), e do colega Alessandro Vieira (SE), que também tem atuado em prol da CPI da Lava Toga e do impeachment de Dias Toffoli. "Falei que a gente tem que continuar fazendo um trabalho em conjunto, porque o Cidadania em nenhum momento me deu limites ou problemas", contou Marcos do Val.

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