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Meirelles promete liberar maconha caso seja eleito: “Não devemos criminalizar o consumidor”

 

Candidato do presidente Michel Temer à presidência da República, o ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles (MDB) revela que suas posições liberais não se restringem à economia. O emedebista assume bandeiras que coincidem com as erguidas por partidos de esquerda e contrariam as defendidas por partidos de centro e direita. Em entrevista à revista IstoÉ, Meirelles promete liberar a maconha caso seja eleito e admite a possibilidade de ampliar o leque das hipóteses de aborto legal no país. Ele também diz ser favorável ao casamento gay e contra a redução da maioridade penal. As declarações do ex-ministro não coincidem com as dos evangélicos, de cujo eleitorado ele tem se aproximado nos últimos meses.

“Acho que a maconha é uma questão de direito individual. Não devemos penalizar e criminalizar o consumidor. Principalmente se for para uso medicinal. Maconha eu liberaria, mas dentro de algumas restrições, com controle rígido, como outros países fazem. Ainda mais depois que as pesquisas apontaram que não causa danos permanentes. Cocaína, sim. Tem que ser criminalizada”, disse aos jornalistas Germano Oliveira e André Vargas.

Embora tenha ressaltado que é contra o aborto, o pré-candidato entende que adolescentes que tiveram gravidez indesejada devem ter o direito de interromper a gestação, o que é proibido pelas leis brasileiras.

“Pessoalmente não sou favorável em um casamento ou namoro, no entanto, é algo que as pessoas têm o direito de fazer em situações dramáticas, como as de estupro ou de gravidez na adolescência. A lei tem que garantir esse direito.” Atualmente o aborto só é autorizado no Brasil em três casos: risco de morte para a mãe, estupro e anencefalia.

O presidenciável afirma que apoia o reconhecimento da união entre pessoas do mesmo sexo. “É um direito individual. Se as pessoas estão juntas e querem proteger o patrimônio, elas têm esse direito.”

Uma das principais bandeiras do presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), a redução da maioridade penal, fixada hoje em 18 anos, é antídoto contra a violência rejeitado por Meirelles. “Acho que não resolve nada pois apenas superlotaremos as prisões brasileiras. A questão da criminalidade adolescente é um problema sério. Temos de dar condições para que os jovens não entrem no crime. Os jovens precisam de escola e emprego.”

Na entrevista, Meirelles diz que não rompeu com o ex-presidente Lula, preso em Curitiba, e que receberia com prazer um eventual apoio do petista. “Não rompi com o ex-presidente Lula. Se ele quiser nos apoiar, levando em conta todas as propostas que temos e tudo o que discutimos, o apoio do ex-presidente é perfeitamente bem-vindo.”

Meirelles, porém, evitou comentar a decisão da Justiça de prender o ex-presidente após condenação na Lava Jato. “Essa foi uma decisão da Justiça. Tenho por norma respeitar e não julgar o trabalho da Justiça. Não me compete. O Brasil tem um sistema judiciário competente e independente, representado pelo Judiciário, pelo Ministério Público e pela Polícia Federal.”

<< Veja a entrevista de Meirelles à IstoÉ

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