Tema da corrupção predomina em entrevista de Haddad ao Jornal Nacional

Agora que foi confirmado, na última terça-feira (11), como candidato do PT à presidência da República, o petista Fernando Haddad finalmente foi recebido na série de entrevistas que o Jornal Nacional (TV Globo) promoveu, nos últimos dias, com os presidenciáveis mais bem colocados em pesquisas de intenção de voto. Empatado com Ciro Gomes (PDT) com 13% das preferências, atrás apenas de Jair Bolsonaro (PSL), não foi questionado sobre seu programa de governo e, em pouco menos de meia hora de sabatina, passou quase todo o tempo se esquivando de perguntas sobre corrupção.

No começo do programa, Haddad deu boa noite ao "presidente Lula" e não enfrentou a pergunta da apresentadora Renata Vasconcelos sobre se o PT faria um mea culpa a respeito dos diversos escândalos de corrupção em suas gestões. Ele se limitou a dizer que "houve falhas na condução da Petrobras", por exemplo, e disse que seu partido viabilizou punições.

"Na minha opinião, os governos do PT foram os que mas fortaleceram o combate à corrupção no Brasil. Se você não fortalece os mecanismos de corrupção, você não descobre a corrupção", tergiversou o petista, que contra-atacou e própria Rede Globo em sua resposta.

"Penso que a Rede Globo condena por antecipação", reclamou o ex-prefeito de São Paulo, que rebateu o âncora William Bonner quando mencionado o nome da ex-presidente Dilma Rousseff como "investigada na Operação Lava Jato". "Discordo de sua declaração de tentar envolver a presidenta Dilma."

Processos em série

Na sequência, Bonner quis saber se o candidato manteria o discurso de petistas mais radicais a respeito de uma suposta perseguição a membros do partido por parte do Judiciário. Nesse ponto da entrevista, o jornalista apresentou casos de investigação e condenação envolvendo petistas.

"O que você está mostrando, aqui, com esses números é que nós nunca partidarizamos o Judiciário. Isso não significa que o Judiciário não possa errar. Tanto pode errar que os recursos estão previstos em nossa Constituição", declarou Haddad.

Vídeo: a entrevista exclusiva de Fernando Haddad ao Congresso em Foco

Ele respondeu também sobre a delação de empreiteiras como a Odebrecht e a UTC, que o acusaram de recebimento de propina, e sobre o fato de ter sido denunciado pelo Ministério Público em razão de supostas irregularidades em obras por ele endossadas como prefeito de São Paulo. Bonner quis saber se, como candidato, ele não fica "incomodado" por ter sido "denunciado na Lava Jato".

"Essas empresas resolveram me retaliar e foram ao Ministério Público sem nenhuma prova", respondeu o petista, lembrando ter cancelado obras das empreiteiras, razão que teria gerado a alegada retaliação. Como Bonner e Renata o interrompiam, Haddad se mostrou indignado e não aceitou as interpelações.

"Quando se trata de minha honra, eu decido [o que responder]. Quando é a sua,você decide", vociferou Haddad, que se dirigiu a Bonner e citou, por mais de uma vez, as complicações criminais do Grupo Globo, que segundo ele incluem investigações na Receita Federal.

2016 distante

Renata voltou à carga lembrando que Haddad perdeu a eleição de prefeito de São Paulo para João Doria, em 2016, no primeiro turno – o primeiro caso da história do município em que o mandatário que tenta a reeleição é derrotado na primeira fase de votações. Nesse sentido, a jornalista quis saber por que o eleitor, que o rejeitou em São Paulo, deveria rever sua posição agora em nível nacional.

Haddad recorreu à própria trajetória para devolver a provocação de que, a exemplo de Dilma, o ex-presidente Lula (2003-2010) o havia indicado para o posto mais importante do país. "O presidente Lula me escolheu na condição de ministro mais bem avaliado do governo mais bem avaliado da história", rebateu o petista, passando de informar números de sua gestão como ministro.

A apresentadora insistiu e quis saber o porquê de tanta rejeição em São Paulo, a ponto de perder a corrida eleitoral já no primeiro turno. "Foi um ano muito atípico. O clima que se criou de antipetismo no Brasil, enquanto se represou as informações sobre os demais partidos, foi enorme", respondeu o petista.

"Perguntem, hoje, aos paulistanos o que ele acha do prefeito deles [Doria]. Aconteceu uma indução a erro. O eleitor foi induzido ao erro, e votou com as informações que tinha", acrescentou.

Legado

Renata Vasconcelos perguntou então o que Haddad faria como contraponto à gestão da economia por parte da ex-presidente Dilma Rousseff, que "deixou mais de 11 milhões de desempregados". Haddad iniciou a resposta fazendo menção à entrevista dada pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) ao jornal O Estado de S. Paulo, em que o parlamentar enumera os erros do tucanato nos últimos anos – "contestaram o resultado das eleições em 2014, apresentaram uma pauta-bomba contra o PT, embarcaram no governo Temer e blindaram Aécio Neves [PSDB-MG]", declarou Haddad.

"Nós tínhamos a menor taxa de desemprego em 2014. Aí vem o senhor Eduardo Cunha, com Aécio Neves, e começaram a sabotar um governo que precisava de ajustes", protestou o candidato.

Em suas considerações finais, Haddad pediu voto no 13, número do PT, e disse que só com sua vitória nas urnas o Brasil poderia retomar o projeto iniciado pelo ex-presidente Lula. Ele citou programas de grande apelo popular, como o Luz para Todos e o Prouni (Programa Universidade para Todos), empreendimentos com a transposição do rio São Francisco e disse que, nos governos Lula e Dila, o Brasil viveu "12 anos de normalidade democrática".

 

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