OEA atesta lisura das eleições brasileiras, mas relata polarização e agressividade

"Profissionalismo e perícia técnica", mas também "polarização e agressividade". Foi assim que a chefe da missão para avaliação eleitoral da Organização dos Estados Americanos (OEA), Laura Chinchilla, classificou o primeiro turno do pleito realizado ontem (domingo, 7).  As conclusões, que atestam a qualidade do processo eletrônico de votação, estão em relatório preliminar divulgado hoje (segunda, 8) pela entidades internacional, que pela primeira vez acompanhou uma disputa eleitoral no Brasil.

Nas 390 seções que diz ter visitado, em 130 postos de votação, a OEA relatou não ter presenciado qualquer problema com as urnas eletrônicas. A entidade aproveitou para lamentar que os próprios partidos políticos não se fizeram presentes nos locais de votação, deixando de fiscalizar "as diferentes etapas do processo". Apenas problemas com a leitura da biometria foram mencionados pela organização.

"Não encontramos nenhum elemento que possa comprometer o processo eleitoral", afirmou. "Ninguém nos denunciou nada nesse sentido [de que pudesse afetar a legitimidade da eleição]", diz trecho do relatório.

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Cerca de 40 membros da OEA visitaram locais de votação em 12 estados e o Distrito Federal nos últimos dias. Na rodada de primeiro turno, 13 governadores foram eleitor, além de deputados estaduais, federais, distritais e senadores – neste caso, em uma taxa de renovação que contrariou pesquisas eleitorais, como o Congresso em Foco mostrou ontem (terça, 8). No próximo dia 28, eleitores voltam para a decisão entre Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT) e mais 14 governadores.

No relatório preliminar, a OEA manifesta preocupação com a "polarização e agressividade" verificadas entre eleitores durante a campanha. A facada em Bolsonaro em 6 de setembro, em pleno ato de campanha do candidato em Juiz de Fora (MG), é um dos exemplos citados pela entidade.

A OEA repudiou também as ameças feitas contra mulheres e jornalistas, física ou em meio digital. "A missão condena veementemente esse ataque."

Fake news

O relatório também faz registros sobre a disseminação das chamadas notícias falsas, as fake news. A entidade citou a força-tarefa do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) contra o conteúdo falso produzido em larga escala – o que a OEA definiu como "propaganda online de desinformação". A presidente do TSE, ministra Rosa Weber, foi a público refutar insinuações sobre o processo eleitoral, no tradicional pronunciamento à nação da autoridade eleitoral, na véspera da eleição (sábado, 6).

Nos últimos dias, o TSE se pronunciou diversas vezes diante dos rumores espalhados a respeito da possibilidade de fraudes na eleição presidencial. Publicamente, por meio de vídeos em suas redes sociais, Bolsonaro tem feito críticas ao sistema eletrônico de votação – ele se diz favorável à impressão do voto, e defende a aprovação de projeto nesse sentido no Congresso, mas o Supremo Tribunal Federal já rejeitou ação com esse objetivo.

Ontem (7), o deputado voltou a colocar em dúvida a lisura do procedimento de votação ao comentar, por meio do Facebook, uma fake news segundo a qual um eleitor dizia digitar a tecla 1 e, automaticamente, a urna lhe sugeria pressionar a tecla 3, conferindo o voto a Fernando Haddad. A tal simulação na urna, distribuída em diversas mídias sociais por meio de um vídeo, na verdade é uma montagem desvendada por agências de checagem de informação.

 

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