Alvaro Dias comete equívocos em sabatina

Durante o Encontro com Presidenciáveis, parceria realizada pelo site Congresso em Foco e o canal MyNews, o candidato do Podemos, Alvaro Dias, cometeu duas gafes.

A primeira foi quando acusou um único candidato de receber R$ 900 milhões do fundo eleitoral, o que representa quase metade de todo dinheiro público destinado aos partidos. O Fundo Especial de Financiamento de Campanha (FEFC), aprovado pelo Congresso e conhecido como fundo eleitoral, distribui R$ 1,7 bilhão para os partidos brasileiros.

“O fundo eleitoral é um escândalo. Há candidato que tem ao seu redor mais de R$ 900 milhões de fundo eleitoral. Tempo de televisão e rádio sobrando. E mais, a legislação permite aos multimilionários que gastem parte da sua fortuna na campanha eleitoral. Isso é democrático? Isso é justo?”, disse o candidato.

Durante a entrevista, o jornalista Sylvio Costa questionou ao candidato se o número estaria correto, porque um único candidato não pode ter quase metade do fundo eleitoral.

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“Sempre fui contestador da velha política”, diz Alvaro Dias

A coligação de Geraldo Alckmin reúne partidos que tem direito a grande parte do fundo eleitoral, mas isso não significa que todo o dinheiro é destinado a um único candidato. A coligação PSDB, PTB, PP, PR, DEM, SD, PPS, PRB, PSD reúne, ao todo, aproximadamente R$ 830 milhões, mas o fundo é usado para financiar a campanha de todo o partido, o que inclui deputados estaduais, federais, senadores, governadores e presidente.

Além disso, o limite de gasto definido pelo TSE para presidente é de R$ 70 milhões no primeiro turno e R$ 35 milhões para o segundo turno.

Em seu discurso, Alvaro Dias critica a “velha política” e propõe a “refundação” da República como solução para os problemas do país. “Esta eleição é um retrato da velha política. Esta eleição é a mais injusta, desonesta, antidemocrática, desigual de todos os tempos”, declarou o candidato, que justificou a injustiça por causa do fundo eleitoral.

“Sempre fui um contestador da velha política, por isso mudei várias vezes de sigla. Só sou candidato à presidência da República para propor uma ruptura com esse sistema. Por isso que muitos não acreditam na hipótese desse rompimento. Vamos ficar aceitando a velha política ou vamos tentar mudar a qualquer preço?”, declarou Alvaro.

Em outro momento da entrevista, o jornalista Antônio Tabet questionou o candidato sobre uma pesquisa realizada pelo InternetLab que descobriu que 60% dos perfis que seguiam Alvaro no Twitter eram falsos. O candidato rebateu: “Isso é uma mentira deslavada. Isso sim é fake news”.

A pesquisa, contudo, foi realizada com vários presidenciáveis e constatou que o perfil de Alvaro Dias era o que apresentava o maior número de contas “fake”.

Divulgado pelo InternetLab em julho, o estudo utilizou o sistema Botometer para fazer a checagem de robôs nas contas dos candidatos. O Botometer é um sistema desenvolvido pela Universidade de Indiana (EUA) que usa inteligência artificial para analisar o comportamento das contas no Twitter e medir o percentual de robôs nos perfis.

A partir dos dados levantados com o Botometer, foi calculado estatisticamente o número máximo e o número mínimo de bots que seguem perfil analisado, chamado de Intervalo de Confiança. Com a média desse Intervalo, o estudo estimou o percentual de seguidores de cada candidato que são potencialmente bots, e constatou que Alvaro Dias apresentou o maior número: 63.7% e 65.0%, equivalente a uma média de 262.950 seguidores bots.

O candidato contestou a pesquisa e criticou o jornalista pela pergunta. “Existem sim alguns [perfis] fakes, mas não 60%. Eu trabalho na internet há muitos anos, não tenho a menor ideia do que pode ter ocorrido”, disse o presidenciável. “Foram três petistas que fizeram esse levantamento com uma amostragem mínima, insignificante e eles próprios disseram que era impossível avaliar a correção dessa revisão”, completou.

Ao final da entrevista, a jornalista Cristina Serra esclareceu que a pesquisa foi realizada e é verdadeira. O candidato se irritou e disse que “o jornalista que perguntou trouxe um lixo para um debate sério”.

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